segunda-feira, 30 de abril de 2012

Frio rima com vinho

O inverno se aproxima, mas o clima de outono já derruba as temperaturas e, como é hábito dos brasileiros, frio rima com vinho. Então, a procura por rótulos, especialmente tintos, cresce em supermercados e lojas especializadas, onde a oferta é grande e a diferença de preços mais ainda. Mas fique atento: há vinhos de diversas nacionalidades com uma boa relação custo/benefício. Não se deixe influenciar pelo apelo do rótulo ou da bandeira: faça sua escolha baseada em indicações de amigos ou em seu próprio gosto. Há uma gama vistosa de vinhos abaixo dos R$ 40 que agradam sob todos os aspectos - a começar pelo bolso. A dica não vale se você tem uma conta bancária cheia de zeros. Nesse caso, deite seu olhar para rótulos de Barca Velha, Bega Sicilia, Brunello di Montalcino...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O Chile deve a ele


Não é de hoje que vinhos da chilena Viña Montes fazem sucesso. O reputado Montes Alpha é um deles e sempre que alguém escreve sobre esse rótulo evoca os 90 pontos dados por Robert Parker, crítico cuja opinião pode empurrar um produto para o topo ou jogá-lo no mais profundo dos abismos. O sujeito é uma lenda no meio e por muito tempo ignorou os vinhos do Novo Mundo, o que inclui Chile e Argentina (ele simplesmente desconhece que o Brasil produza vinhos). Enfim, é arrogante ao extremo. Sobre a Viña Montes, é importante que se diga que há um ano morreu seu fundador, Douglas Murray, vítima de câncer. Ele criou a vinícola em 1987, junto com o enólogo Aurélio Montes, hoje à frente do negócio. Murray se tornou um ferrenho defensor dos vinhos chilenos no mundo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Preciosidade argentina


Quem toma vinho não tem dúvida: rótulo assinado pela Catena está entre os mais prestigiados da Argentina. Dia desses alongo-me nessa história, mas evoco aqui um vinho específico do gigantesco portfólio da bodega até como uma homenagem a alguns amigos, que reverenciam esse rótulo. O D.V. Catena, em particular o Syrah, é uma dessas preciosidades que vale cada centavo (R$ 100, em média). O DN remete a Domingo Vicente, um dos membros do clã Catena, nome que figura na elite do winemakers argentinos (a expressão inglesa é execrada pelos patrícios... rsss). Em tempo: Domingo Catena casou-se em 1934 com Angélica Zapata, dando origem à clássica bodega. Caso seja observador, verá essa informação no rótulo do DV.

Julgamento histórico


Não vou dar muitos detalhes sobre esse filme, mas recomendo para quem está disposto a entender um pouco mais sobre a história recente do vinho - e como os franceses, do alto de sua arrogância enológica, tomaram 'uma volta' dos californianos. Aliás, aproveito para sugerir que dia desses você junte um grupo de amigos metidos a entendedores de vinho e faça uma degustação às cegas, aquela em que não se visualiza o rótulo. Aproveite e misture entre os vinhos algumas porcarias de R$ 5 a garrafa. Vai se surpreender com o resultado. Isso tem muito a ver com a história desse filme. Boa diversão!

Português pra inglês ver


Pêra Manca é um rotulo português que se esforça para ficar no topo. Consegue mais pela tradição do que pela qualidade. Quem já desembolsou cerca de R$ 500 por uma garrafa ficou com a impressão de que foi enganado. Para apreciá-lo é preciso se desfazer do rigor e relaxar. Aliás, as castas portuguesas não me encantam – nem surpreendem: tenho sempre a impressão que estou a tomar vinho de categoria rasteira. Talvez seja culpa dos meus porres com Casal Garcia e Calamares. Mas sobre o Pêra Manca, é bom que se diga que se trata de um dos mais prestigiados rótulos portugueses, cuja história remonta ao século 19. Sem entrar nessas reminiscências, o vinho é um corte de aragonês (tinta roriz no Douro e Tempranillo na Espanha) e a trincadeira. Só é vinificado em safras excepcionais. Quando os produtores se convencem que as uvas não vão render o suficiente em qualidade, envazam o vinho como Cartuxa Reserva. Mas não se deixe levar pela fama e a tradição. Vai se deliciar bem mais com rótulos mais simples – e mais acessível. Em tempo: Pêra Manca significa pedra manca, um pedaço qualquer de rocha que se mantém oscilante sobre uma base mais firme. Nada a ver com o cavalo que ilustra o rótulo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Misterioso, mas não tanto!


Meu amigo Evandro Buquera é um apreciador de vinhos e charutos – e a impressão que tenho é que gosta de ambos na mesma proporção. Evoco sua figura por sua predileção por um rótulo argentino, o Alma Negra, rótulo que leva a assinatura da família Catena, no caso, Ernesto. Tenho tomado com freqüência esse vinho em sua casa e a cada taça a impressão que se tem é de que faço descobertas interessantes sobre esse rótulo, propositalmente misterioso. A princípio, o Alma Negra ‘vendeu-se` como uma alquimia impetrável, uma fórmula inalcançável que sustentava sua fama. Em sua elaboração entrariam um mix de uvas primorosamente escolhidas entre parreirais distintos. Sabe-se agora que trata-se de um blend da Bonarda e Malbec, em proporções, claro, desconhecida. Essa confiança nessa mistura das duas variedades que compõem o vinho não tem unanimidade. O próprio Ernesto Catena nem confirma nem desmente essa fórmula – e o Alma Negra segue como um rótulo que merece atenção.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cella? Tô fora!

Dia desses, num desses encontros de amigos, nos quais sempre aparece casal não exatamente íntimo de todos, fui surpreendido por um insuspeito Cella em meio a uma variedade interessante de rótulos. Sinceramente, imaginei que esse miserável espumante, de qualidade mais que duvidosa para não dizer medíocre, já havia sido exorcizado do gosto médio do consumidor e, por extensão, banido do mercado nacional. Que nada! Lá estava ele, pimpão, a bordo de um balde de gelo, pronto para ser bebido por alguém que ainda não se deu conta da existência de produtos nacionais equivalentes no preço, mas muito superior na qualidade - e adocicado, bem ao estilo desse italiano metido, que já frequentou boas mesas no país, num tempo em que pouco se sabia sobre vinho. Fica a dica então: se gosta de espumante doce, troque o Cella pelo moscatel. Há uma infinidade de marcas nacionais de altíssima qualidade. O paladar agradece!