quinta-feira, 14 de abril de 2011

Caros e baratos são iguais

O consumidor, de maneira geral, não distingue um vinho de boa procedência e qualidade de um rótulo mais apropriado para conservar cebolinha ou fazer sagu. Não é de hoje que sustento essa tese, amparado na convicção de que entre os bebedores de vinho prevalece mais soberba e menos conhecimento e informação. Agora, um estudo britânico aponta que vinhos baratos podem ter o mesmo efeito sobre o paladar que bebidas mais sofisticadas – e caras. Na distinção entre rótulos mais caros e baratos registrou-se empate. A degustação às cegas, aquela em que é retirado o rótulo e as garrafas de vinhos são misturadas, descobriu-se o que já se suspeitava: consumidor compra pelo rótulo, indiferente ao conteúdo, pagando mais caro pela apresentação da garrafa e o efeito de alguma propaganda que aponta para a qualidade dessa ou daquela marca. Mais que isso: para a média das pessoas, vinhos caros e baratos têm a mesma qualidade. Enfim, no mundo do vinho também prevalece uma grande enganação.Pior é o consumidor enganar-se a si próprio.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Descoberta inusitada

Há 15 anos, o enólogo Jean Michel Bousiquot desembarcou no Chile como uma inusitada missão: descobrir o que teria ocorrido com um parreiral de Merlot, que aparentava ser sofrido algum tipo de mutação e se diferenciava da cepa original em vários aspectos. Jean Michel logo se deu conta que estava diante de uma nova variedade há muito extinta, a Carménère. A uva tinta desapareceu dos campos europeus no início do século 20, devastada pela filoxera, flagelo que impôs um divisor de águas na história da vitivinicultura mundial. Desde que o enólogo fez a descoberta, o Chile avançou – e muito – na vinificação da variedade, a ponto da uva ser considerada emblemática do país.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Justiça seja feita

Insisto e reitero: o melhor vinho é aquele que voce toma e gosta - e não se fala mais nisso! Então, os corneteiros de plantão deve estar ávidos para descancar o pau nesse modesto escriba, posto que vez ou outra ele esculhamba com alguns rótulos, como fez com o Cella. Reafirmo: acho esse `vinho` medíocre, mas justiça seja feita. Assim como o Liebfraumilch cumpriu nos ano 80 a missão de abrir o mercado de vinho no país, o Cella também o fez. O garrafa azul alemão, de origem e qualidade duvidosa, foi importante para aperfeiçoar o paladar tunipiniquim, que do rótulo evoluiu para conteúdos menos médíocres. O Cella igualmente. Um grande número de pessoas começou a beber espumantes pelo Cella, seduzido pelo sabor adocicado. Depois, atingiram um patamar menos rasteiro com a introdução do moscatel (o produto nacional dessa uva é uma excelente bebida, resguardando-se um ou outro produtor mais relaxado).

Ninguém merece

Há pessoas, mesmo aquelas já iniciadas na arte de Baco, que insistem em tomar Cella, aquele lambusco desqualificado, mais adequado a qualquer outra coisa do que deitar-se numa taça ou recipiente que sirva para levar a boca. Creio que o espumante italiano já cumpriu su missão de ensinar aos iniciados o quanto é ruim - e que em sua faixa de preço existem uma infinidade de produtos muito bons. Cella é o espumante, frizante ou sei lá como se define esse arremedo de bebida gaseificada que não merece estar na mesa de ninguém que tenha um mínimo de bom gosto. Tomo sidra Ceseser. É bem melhor e melhor: uma bebida honesta!

Menos vinhos

Ganhei de presente um ‘vinho’ de jabuticaba. O mimo veio com o argumento de que se tratava de uma bebida diferente, de sabor único, obtida por um processo desenvolvido especialmente para se fabricar fermentado a partir de frutas tropicais. Enfim, uma besteira. Doce, gaseificação artificial... uma merda! Evoco o episódio para lembrar: na definição do Office Internacional de La Vigne ET Du Vin – ou Organização Internacional do Vinho em bom português -, vinho é a bebida resultante da fermentação do mosto (suco) de uvas frescas. Qualquer coisa fora disso é qualquer coisa, menos vinho.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

quer experimentar?

Se arrisque, mas não vai se surpreender. Glamm é descartável, eufemismo para ‘ruim’. A latinha de 250 ml concentra algo que os fabricantes chamam de ‘vinho frisante´. Keep Cooler é bem melhor. A bebida ‘ se vende’ como ‘especial e sofisticada’, mas não é uma coisa nem outra. Produzido em Caxias do Sul, chegou ao mercado há dois anos para fisgar um consumidor desavisado e pouco exigente. Conseguiu algum avanço, mas está longe de se impor como uma boa opção de consumo – seja qual for o perfil da festa. Enfim, é mais uma tentativa de popularizar o consumo de vinhos baratos entre um grupo de consumidores que se deixar enganar. Será?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Coisa de bêbado


Bebida que reduz a quantidade de álcool no sangue depois de uma orgia etílica? Pois é. Isso não é coisa de bêbado – ou seria? Marca de bebidas de Luxemburgo, um paísinho merreca perdido no meio da Europa acaba de lançar uma garrafa laranja de 250 ml cujo conteúdo promete fazer o milagre. Não se sabe exatamente a fórmula, mas a bebida já despertou a ira dos sóbrios de plantão, que enxergam na iniciativa um estímulo ao alcoolismo. Médicos duvidam da eficácia da bebida, que já faz sucesso em raves européias. Dizem que com vodka a Outox fica melhor ainda.